
Não escrevo uma nota sequer há quase três meses. Que vergonha!
Sobraram viagens, mas me faltaram (e ainda me faltam) palavras.
Porque precisávamos passar o Natal em Londres e o ano novo no Brasil, o Tó e eu quase desenhamos um triângulo imaginário ao sair de África, seguir para a Europa e depois para a América do Sul.
Não foi possível ir a todos os lugares que queríamos, reencontrar todos os parentes e amigos, mas foram dias maravilhosos.
Ver o meu pai atento ao portão de desembarque. Uma cena para não esquecer.
- O vôo da Fábia está atrasado, só chegará bem mais tarde.
A minha mãe chegou a acreditar nele. E eu, que não era surpresa, acabei sendo. A minha mãe abriu o maior dos sorrisos quando apareci à porta.
Saudade.
A mesa estava lá, como sempre, cheia de quitutes.
- Você está magra.
Eu sabia que não estava. Mas minha mãe queria esvaziar a mesa, as panelas, a geladeira.
Engordei três quilos.
Na reunião de família, o Tó e eu ganhamos um presente delicioso de uma prima. Com o bolo, celebramos, de novo, o nosso casamento.
Comi o “bolo de noiva” e também alguns pratos que a Sofia preparou.
Às voltas com fogão, panelinhas e xícaras de plástico, ela comandava uma cozinha que eu conseguia enxergar com os olhos da minha imaginacão. Da mistura de grãos de arroz e feijão, tudo saia.
- Vai demorar muito para ficar pronto, Sofia? - perguntei.
- Não, não vai demorar.
- Quantos minutos para ficar pronto, então?
- Hummm... – pensou um pouco – Três minutos.
Passados menos de três minutos, lá veio a Sofia - mãozinha estendida a carregar uma pequena xícara de plástico.
Recebi a xícara, ou melhor, “o prato” cheinho de grãos, e perguntei:
- Que comida é esta, mesmo, Sofia?
- ÉÉÉ... É uma salada!
- Hummm... Muito gostosa esta salada. Posso ter mais um pouquinho?
- Pode comer tudo.